Hoje é o último dia que estamos recebendo convidados escritores ilustres aqui no blog (por enquanto!). Agora passamos a bola para Soninha Francine, que já trabalhou na MTV, TV Cultura, Rádio Globo/CBN, Folha de São Paulo e ESPN.
Confiram que texto legal ela fez para nós.
Soninha Francine
Outro dia vi no caderno da minha filha uma explicação sobre “clássicos” – não falavam de “San X São”, “Fla X Flu” etc, mas de clássicos da música, literatura, cinema. “São criações que transcendem o tempo e o espaço. Que podem ser apreciadas e reconhecidas por todos os povos, independentemente de sua própria história e cultura”.
Também um dia desses li uma matéria sobre um maestro que tocou Mozart para inuits (esquimós) que nunca tinham ouvido música sinfônica na vida.
Eles se assombraram e comoveram. Alguns se surpreendem que o “povão” aprecie música “clássica”, mas não deviam. Orquestras sempre lotam praças, parques, encantam as pessoas e até os bichos!
Voltando agora para o futebol, continuo não querendo falar de confrontos entre grandes times com muita tradição, mas das “obras clássicas” do esporte. Até porque nos jogos inesquecíveis os times “jogam como música”, executam jogadas que são “uma pintura”…
Meu pai não é bem um inuit no futebol, mas é bem diferente dos outros pais por aí. Nunca foi aficionado; seu esporte de verdade era natação, no qual tinha algum destaque em sua categoria.
Mesmo sem ser um expert, sem ler todo dia os cadernos esportivos dos jornais, sem grudar o ouvido em cada transmissão no rádio ou frequentar estádio, ele torcia por um time. Um time que qualquer um – especialista versado, crítico rigoroso ou espectador não-iniciado – era capaz de apreciar, amar, admirar com assombro. Meu pai era santista.
Em 1969, nasceu o segundo filho dele (a primeira sou eu!). Foi o ano em que Roberto Carlos gravou As Curvas da Estrada de… Santos. Em que estrearam “Butch Cassidy e Sundance Kid” e “Easy Rider”. Ano do Festival de Woodstock e do primeiro passo do homem na Lua (se é que… rsrs).

E é o ano em que Pelé marcou seu milésimo gol (pois é, minha filha, ANTES da Copa de 70 ele já tinha isso tudo de gol. Não foi aos 33 da prorrogação, já no ocaso da carreira).
É 1969 foi o ano em que os rebeldes em guerra no Congo Belga suspenderam o conflito para escoltar o Santos de Pelé – e bateram pé exigindo que ele jogasse uma partida em cada território inimigo, como condição para deixar o país…
O fato é que o futebol, Santos e Pelé PARARAM uma guerra. Alguns imbecis brigam armados por causa de futebol; lá houve um cessar-fogo.
Não consigo imaginar nada mais legal.
Portanto, meu pai não precisava distinguir “Andante” de “Allegro”, muito menos ler partitura para apreciar a sinfonia. Ao longo de sua carreira e especialmente em 69, Pelé deu grandes passos (e passes e dribles e chutes) para um homem e também para a humanidade.
E aí, o que acharam? A Soninha se expressou muito bem ao falar do ano de 69. Ficou show!
E se você qusier a camisa que a ela mostra na foto, basta clicar aqui. Mas não se esqueçam, segunda-feira lançaremos um concurso cultural que dará a 5 felizardos uma dessas camisas retrô!
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