Às vésperas de seu centenário, o Santos antecipou os festejos. Na esteira da temporada passada, 2011 começou gordo. No primeiro quadrimestre, o time defendeu com sucesso o título paulista, o quarto em seis anos.
Logo depois, a equipe dava início à campanha vitoriosa na Libertadores da América, repetindo os feitos de 1962 e 1963, quando foi o “dono” do continente.
No Mundial, derrota na final para o Barcelona por 4 a 0.
A seguir, o blog faz uma releitura do ano para o torcedor santista.
Domínio estadual
O Paulistão serviu para mostrar a força do grupo do Santos. Mesmo sem Neymar, que servia a Seleção Brasileira sub-20 no Sul-Americano da categoria, e Ganso, que se recuperava de cirurgia, o Peixe sobrou no início do torneio estadual, com vitórias convincentes.
Comandado por Elano, que voltava à Vila Belmiro após seis anos na Europa, o time, primeiro orientado por Adilson Batista e depois por Muricy Ramalho, arrancou para a primeira colocação geral na fase classificatória.
Nas semifinais, já com as suas duas maiores estrelas, vitória sobre o São Paulo em dois jogos. Na final, ante o Corinthians, que batera o Palmeiras, um 0 a 0 no Pacaembu e um 2 a 1 na Vila Belmiro, com gols de Arouca e Neymar (Morais descontou para os corintianos). Caneco garantido e a hegemonia regional retomada.
Era o primeiro título de Muricy à frente do Peixe em pouco mais de um mês de trabalho. E o terceiro de Neymar, Ganso e tantos outros em menos de um ano.
Despertar de um gigante

Foto: Fernando Borges/Terra
O início no principal interclubes da América do Sul não foi nada promissor. Nos três primeiros jogos, dois empates e uma derrota. A classificação para a segunda fase estava em risco.
Era necessário, no mínimo, sete pontos nos três compromissos restantes. O Santos fez melhor. Venceu todos os seus jogos no returno e selou a vaga para os playoffs como segundo colocado, com os mesmos 11 pontos do Cerro Porteño, que ficou com a ponta no critério de desempate.
Nas oitavas, aperto contra o tradicional América, do México. Depois de fazer 1 a 0 em Santos (gol de Ganso), o Peixe segurou o empate na volta graças à atuação monumental de Rafael Cabral.
Nas quartas, era chegada a hora de acertar as contas com o Once Caldas, da Colômbia, algoz santista na Libertadores de 2004. Na ida, Alan Patrick fez o gol solitário em Manizales. Na volta, no Pacaembu, empate em 1 a 1 e vaga assegurada entre os quatro melhores do continente.
O adversário nas semifinais era bem conhecido: o paraguaio Cerro Porteño, que mediu forças com o Peixe na primeira fase. No embate inaugural, no Pacaembu, melhor para o time da casa, que marcou 1 a 0 com o capitão Edu Dracena, após linda jogada de Neymar. No Paraguai, um eletrizante 3 a 3. Assim, o Santos voltava a uma final de Libertadores após oito anos.
Para chegar ao seu terceiro troféu continental, o Santos deveria passar pelo Peñarol, rival da decisão em 1962. Bem armado, o time de Muricy segurou com todas as forças a igualdade em 0 a 0, em Montevidéu. A volta, no já familiar Pacaembu, foi diferente. Neymar e Danilo colocaram o Peixe em vantagem. No finalzinho do jogo, Stoyanoff diminuiu o marcador para os uruguaios.
O 2 a 1 selava o terceiro título de Libertadores do Santos e a consagração da geração capitaneada pelos craques Neymar e Ganso.
Um Brasileirão “morno”
No Brasileirão, o Santos apenas cumpriu tabela, já que não aspirava grandes resultados. O título nacional, possível se levado em conta o elenco do time da baixada, ficou pelo caminho no primeiro turno, quando Neymar e companhia ainda dividiam as atenções com a reta final da Libertadores.
Mesmo assim, o torcedor do Peixe tem o que comemorar. Primeiro, pela bela atuação na derrota por 5 a 4 ante o Flamengo, na Vila Belmiro, considerado, o melhor jogo deste Nacional. Depois, pela artilharia de Borges, que chegou logo após o término da Libertadores, com 23 gols.
Forte até em outra superfície

Com um time repleto de estrelas, o Santos mandou bem na Liga Futsal. Detalhe que era apenas a estreia do Peixe nesta modalidade.
Na primeira fase do mais badalado torneio do futsal brasileiro, o time guiado por Fernando Ferretti liderou de ponta a ponta, somando 88 gols em 22 jogos.
Na final ante o poderoso Carlos Barbosa, derrota por 4 a 3 fora de casa e expulsão de Falcão, principal articulador santista. Na volta, embalado pela torcida, o Santos fez 3 a 2 no tempo regulamentar e 7 a 6 nos pênaltis para levar o caneco.
Além do título, o Peixe ainda viu Falcão repetir 2010, quando foi campeão e artilheiro – à na época pelo Jaraguá. Em 2011, o ala fez 30 gols, nove a menos que na temporada passada.
Sonho adiado

Foto: Leandro Amaral/Divulgação Santos FC
A terceira estrela nunca esteve tão próxima. Na estreia do Santos no Mundial de Clubes da FIFA, triunfo por 3 a 1 sobre o aguerrido Kashiwa Reysol, em Nagoya. Neymar, Borges e Danilo fizeram para os brasileiros. Sakai diminuiu para os japoneses.
Do outro lado da chave, o poderoso Barcelona bateu o Al Sadd, do Catar, por 4 a 0 e selou sua vaga na mais esperada final dos últimos tempos.
Em Yokohama, palco do título mundial da seleção em 2002, no entanto, o roteiro não foi tão generoso para o Peixe. Messi fez dois belos gols e ajudou o Barça a fazer 4 a 0 no atual campeão da Libertadores e conquistar mais um título mundial.
Sem dúvida, 2011 é mais um ano que entra para a belíssima história do Santos Futebol Clube.